Depoimento masculino: "As mulheres só querem sexo!"




Eu tomava uma cerveja, depois da aula, num bar em frente à universidade onde eu trabalhava, e um aluno se aproximou com aquela cara de cachorro perdido.
Conversa vai e vem ele entrou no assunto que estava enlouquecendo o seu copo.

“Professor, é o seguinte. Não agüento mais essa mulherada. Não consigo uma garota pra namorar. Só pra transar. Toda sexta à noite eu saio, vou num bar, uma danceteria, e arrumo mulher pra transar, somente. Mas eu quero namorar, sabe?”
E explicou o que era namorar, pra ele.

“Eu quero ficar em casa com a menina fazendo massa e enchendo a cara de vinho barato, daqueles de garrafão. Quero caminhar de mãos dadas pela calçada. Quero gostar, sabe?”

Aquilo me lembrou imediatamente uma outra conversa, dessa vez com uma garota, também aluna. Ela me pediu que apresentasse alguém prá ela, que ela não agüentava mais não ter namorado. “Puxa, professor, o senhor conhece todos os alunos, me apresenta um que queira uma namorada. Os homens não querem mais namorar, só querem transar.” As mulheres se queixam muito dos homens.

Pensei em apresentar os dois, mas não me lembrava mais quem era a menina. Mas contei a história para ele, que enquanto me escutava enchia o seu copo. Ele era um tipo que acho que as universitárias acham interessante. Devia ter uns 24 anos. Pele morena, cabelos num corte meio feminino, penso que chanel, um brinco discreto. Mas com cara e corpo de homem, o que fazia um arranjo bonito.
Daí passamos a falar de livros, aula. Até que uma menina no fundo do bar chamou a atenção dele. Bonita, loira, do tipo “olha como sou gostosa”, ela atirava os cabelos pra lá e pra cá, e entre um gole e outro de cerveja olhava para o pobre procurador de namorada. Talvez conscientemente, ela bebia sua garrafinha direto no bico. Isso reforçava o jogo de sedução que ela estava jogando, pelas mensagens outras que passava ao procurador de namorada. Procuradora de namorado?
Vi o brilho no olho dele. E lá foi, copo em punho, conversar com a menina. Procurar o quê mesmo?
Fui pra casa pensando em Vinicius de Moraes que escreveu: “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. Fui pra casa pensando em Arthur da Távola, que disse que “não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora que passa o filme; de flor catada no muro e entregue de repente... “
Fui pra casa, cantando Vinicius baixinho, respeitando meus ouvidos: “Se você quer ser minha namorada / ah! que linda namorada você poderia ser / se quiser ser somente minha / exatamente essa coisinha / essa coisa toda minha / que ninguém mais pode ser...”. Puxa, conquistei “todas” as namoradas cantando essa música. Parecia tão fácil arrumar namorada cantando “Minha namorada”. Mas lembro que os amigos já se queixavam muito das mulheres.

Dias depois, encontrei de novo o procurador de namorada.
Arrisquei: “E aí, encontrou a parceria para o vinho de garrafão?”
E ele: “Que nada! Aquela loira queria era sexo. Fomos lá pra casa, depois de muitas cervejas. Mas não a vi mais por aqui. É o que eu te disse, as mulheres só querem transar, professor”.

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